Postagem Observatório
Fábio Costa Pereira
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Viver é aprender!

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Quero falar, na crônica de hoje, de  algo que parece ser absolutamente clichê, mas, no entanto, é uma retumbante verdade que, no meu caso, fez questão de, mais uma vez, impor a sua presença: viver é aprender!

Antes de contar o que aconteceu, no entanto, uma breve explicação se faz necessária. 

Desde o ano de 2017 íntegro, com muito orgulho, o Movimento de Combate à Impunidade (MCI) fundado por um grupo de membros do Ministério Público e da Magistratura carioca, que não mais suportavam o monotemático discurso de "heroicização" do criminoso, criminalização da sociedade e esquecimento da vítima.

Nestes poucos anos de existência, o MCI cresceu e passou a agregar profissionais do universo jurídico de todo o país. 

A espiral do silêncio que faz com que vozes descontentes não ousem se opor  à "verdade" reinante, foi rompida e forte discurso contra a impunidade passou a ser reverberado por todos os rincões desta imensa nação.

O MCI, no período, realizou inúmeros seminários dando voz e vez ao lamento das vítimas. 

Além disso, os seus membros publicaram artigos nos mais diversos veículos de comunicação e ministraram palestras onde quer que chamados.

No entanto, o MCI precisava algo a mais, editar e lançar uma revista dedicada apenas às vítimas e contrária à Impunidade reinante no Brasil.

Pois bem, após quase um ano de árduo e incessante trabalho (aqui um agradecimento especial a Adriano Marreiros , aquele que efetivamente fez o sonho tornar-se realidade), finalmente a revista ficou pronta e o seu lançamento programado para o dia 09/08, na Escola Superior da Magistratura do RJ, com a presença de ilustres palestrantes, dentre eles o Governador Wilson Witzel, o Desembargador Flavio Horta, o jornalista Rodolfo Gomes, o jurista Yves Gandra Martins, o juiz  Wilson Kozlowzki e o Desembargador Federal Abel Gomes.

Óbvio que não  posso deixar de referir, por igual, a importante intervenção dos colegas de MCI, que também palestraram,  Flávia Ferrer, Marcelo Rocha Monteiro, Alexandre Abrahão, Yeda Ching San, Maurício Lima e Patrícia Pimentel.

Tive a honra, mais por bondade dos meus companheiros de MCI do que por qualidades individuais, de ser convidado a palestrar sobre tema de que gosto muito, a Impunidade sob a perspectiva da Escolha Racional.

No painel no qual também participaram a Promotora Julia Schütt e a juíza Mirían Castro Neves, optamos por fazer um "bate-papo" e abrir para a plateia, na medida em que os debates avançavam, a possibilidade de fazer perguntas e intervenções.

Não preciso dizer que inúmeros estudantes e pessoas que  ali se faziam presentes, reconhecendo-se no discurso vertido, até então silêncio na mídia tradicional e na academia, animaram-se a falar e a compartilhar as suas dúvidas, experiências e angústias.

Lá pelas tantas uma jovem universitária pediu a palavra e disse que nunca tinha pensado a respeito do assunto a partir do ponto de vista que estávamos expondo. No ambiente universitário, disse ela, as teorias e pesquisas apresentadas jamais tinham sido referidas. E foi mais adiante, falou que tudo passava a fazer sentido. Nesse instante compartilhou uma dura experiência sua: um ano antes o seu pai, homem honesto, enquanto se dirigia para mais um dia de trabalho, foi morto por um cruel bandido que não mediu esforços para lhe espoliar o que trazia consigo.

Não preciso dizer que as lágrimas começaram a correr em muitas faces e as vozes, inclusive a minha, ficaram embargadas. A realidade bateu à porta. Vítimas têm nome, sobrenome e uma difícil história, permeada por dor e sofrimento que jamais devem ser esquecidas. Eis a lição que aprendi.

E que Deus Tenha Piedade de Nós!

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