Tudo bem no ano que vem?

Atualizado: Fev 13

Por Fábio Costa Pereira, presidente da Associação Brasileira de Inteligência e Contrainteligência.

O ano de 2019, ao menos para mim, começou muito bem. A sensação do começo da renovação de nosso país, do cumprimento das promessas que levariam o Brasil a ser uma nação de primeiro mundo e a crença de que os altos índices de criminalidade enfim começariam a ser debelados, já na virada do ano encheram-me de esperanças à espera de um ano melhor dos que o antecederam.

Nos primeiros meses de 2019, tive a certeza de que as minhas previsões de final de ano iriam se concretizar e que, finalmente, enquanto nação, encontraríamos o rumo da prosperidade e da paz.

Nas áreas da Segurança Pública e da Economia, o alvorecer de 2019 trouxe consigo as melhores notícias. Reformas estruturais que tornariam o Brasil  um ambiente de negócios mais livre e um país pouco leniente com as diversas expressões do crime foram propostas.

O rompimento com o nosso passado burocrático, estatizante e complacente com os criminosos parecia estar em marcha.

A economia rapidamente respondeu às mudanças e o país começou a crescer. 

De igual forma, diante da sinalização dada pelo Estado brasileiro à criminalidade em geral  de que ao crime cometido corresponderia o justo castigo, os índices de criminalidade violenta começaram a decrescer.

No entanto, em meados do ano que se encerra, as duas áreas crescentes desvincularam-se uma da outra. A economia continuou demonstrando avanços e a Segurança Pública começou a dar sinais de que além de não avançar iria regredir.

O ano de 2019 marcou o fim da prisão em segunda instância, da aprovação da Lei de Abuso de Autoridade que, de tão

aberta e genérica, permite considerar qualquer ato da autoridade como abusivo, e do Pacote Anticrime que de anticrime não tem nada e o seus eventuais avanços jamais serão aplicados por conta de seus retrocessos.

Enfim, ao menos em termos de Segurança Pública, não há nada a se comemorar, antevendo-se um 2020 bastante difícil, com a possível piora dos indicadores de criminalidade.

Em um país em que as barreiras impostas ao se investigar crimes, bem como processar, prender e manter-se presos criminosos, é previsível que o crime avance.

Saio de 2019 muito mais pessimista do que entrei, aguardando com extrema preocupação o ano de 2020.

Espero, sinceramente, estar enganado em minhas previsões. Porém, sei que não estou.

E que Deus tenha piedade de nós!!!

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