Postagem Observatório

Partidos de esquerda chegam a acordo para formar governo na Espanha

Data da publicação:

Os dois principais partidos de esquerda da Espanha – PSOE e Podemos – anunciaram ontem um acordo para a formação de um governo de coalizão, o primeiro na história moderna do país, segundo informações do Valor Econômico.

No entanto, é preciso que a provável coalizão obtenha o apoio dos partidos regionalistas menores para alcançar a maioria absoluta de 176 cadeiras ou conseguir o voto de confirmação por meio de maioria simples.

Pedro Sánchez, premiê interino do país e líder do PSOE, e Pablo Iglesias, líder do Podemos, anunciaram o acordo dois dias após uma eleição inconclusiva – a quarta em quatro anos –, em que ambos os partidos perderam cadeiras e que ficou marcada pela forte ascensão dos nacionalistas do Vox, que se tornaram a terceira bancada do Legislativo.

Juntos, PSOE e Podemos somam 155 cadeiras e fizeram chamado para que outros partidos se juntem à coalizão para alcançar a maioria no Parlamento, que possui 350 cadeiras. Para isso, precisará contar com o apoio do Esquerra Republicana (ECR), um partido separatista catalão, uma vez que os centristas do Cidadãos e os conservadores do Partido Popular (PP) já rejeitaram fazer parte deste governo.

O ECR, que obteve 13 cadeiras, disse que "neste momento" não apoiará a coalizão PSOE/Podemos, mas que não descarta mudar de posição.

O anúncio da coalizão pegou mal nos mercados: o índice de ações Ibex-35 reverteu os ganhos iniciais e fechou em baixa de 0,87%.

Redigido por Marcos Jr.

O conteúdo desta matéria pode ser reproduzido livremente, desde que devidamente citadas a fonte e o autor.

Nota do editor: se confirmada, a coalizão dos partidos PSOE e Podemos será o governo mais à esquerda da história moderna da Espanha. É importante lembrar que este último, liderado por Pablo Iglesias, já chegou a receber financiamento do governo venezuelano, segundo matéria do El Confidencial (ver também matéria em que um sócio de Iglesias o acusa de que o Podemos foi fundado com apoio financeiro de Venezuela e Irã). Em 2017, também segundo o jornal, o Podemos se opôs à resolução do Congresso que condenava o autogolpe de Nicolás Maduro, ocorrido com a convocação da Assembleia Constituinte em 2017.

Oficialmente, o bolivarianismo pode ter chegado à Europa.