Postagem Observatório

Os alertas da Argentina de Macri para Bolsonaro e sua equipe econômica

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Ontem, como todos já sabem, a Argentina sentiu os efeitos da ressaca após a vitória achapante da chapa Fernández-Kirchner nas primárias disputadas no último domingo, por 47% a 32% sobre Macri-Pichetto, a chapa governista.

A bolsa de valores em Buenos Aires derreteu quase 38% e, em uma manobra desesperada para conter a desvalorização do peso, o Banco Central elevou a taxa básica de juros para 74% ao ano. E nada garante que o "porre" terminará tão cedo, posto que os analistas políticos e do mercado financeiro praticamente dão como praticamente certa a vitória de Fernández ainda no primeiro turno, no final de outubro. E, honestamente, tendo a enxergar o mesmo cenário como o mais provável. Só um milagre salvará Macri.

Mas o mérito de minha ponderação de hoje não tem tanto a ver com o triste quadro político argentino, tampouco com os fatos recentes que levaram nossos vizinhos ao atual estado de coisas, muito embora ambos também sejam úteis para que, guardadas as devidas proporções, não cometamos erros semelhantes. Tem que ver com a necessidade do governo Bolsonaro, sobretudo a sua equipe econômica, de ficar atento à situação de nosso país.

Primeiramente, como todos sabem, há uma agenda de reformas estruturais que precisa ser realizada para ontem. Felizmente, a trupe liderada por Paulo Guedes, Ministro da Economia, entendeu isso, diferente da homóloga macrista, que optou por um acanhado "gradualismo" e, no final, conseguiu piorar o já ruim quadro econômico de nossos hermanos.

No entanto, ruídos gerados por declarações membros do governo Bolsonaro, bem como pelo próprio presidente, acabaram tornando a tramitação de tais reformas, prolongando o compasso de espera de empresários, investidores e da população em geral, o que atrasa a recuperação econômica do país. Sendo assim, um foco maior nesta agenda de Reformas (e faço questão de colocá-las com R maiúsculo, pois elas precisam ser economicamente maiúsculas) neste segundo semestre deveria ser prioridade zero.

E em segundo lugar, há a necessidade de que algumas das medidas econômicas do governo precisam surtir efeito para já. Nisso, discordo total e frontalmente do Ministro Paulo Guedes, de dar-lhe "um ou dois anos" para que sua agenda liberal dê efeito. E, não, não me oponho à agenda liberal de Guedes, muito pelo contrário. No entanto, há 13 milhões de desempregados esperando. Eles não podem esperar "um ou dois anos". É preciso resultados. Para aqui e agora.

Fica o alerta de hoje. A direita brasileira tem uma única oportunidade de resgatar o país. Mas não se pode dar ao luxo de perder tempo, nem de hesitar-se.