O poder dos livros

Por Hugo Leonardo Matos Albuquerque, professor e consultor de aprendizagem

Cofundador do Honestidade Intelectual


Olá a todos!

Hoje gostaria de discutir um assunto extremamente importante com vocês: a leitura.

Pode parecer extremamente banal falar sobre um assunto tão "batido", mas o que eu gostaria de abordar com vocês é uma perspectiva completamente diferente da abordada nas escolas, cursos preparatórios e palestras.

Antes disso, porém, devo dar os devidos créditos ao homem que me inspirou a defender a "leitura inteligente", o falecido professor que influenciou centenas de milhares de pessoas com seus livros, palestras e aulas: Pierluigi Piazzi.

Este homem, italiano que jovem veio ao Brasil construir sua vida, dedicou toda a sua história acadêmica a ensinar alunos e profissionais a estudar melhor e com mais alegria. Aos interessados, pesquisar a coleção "Neuroaprendizagem", do professor "Pier", como costumava ser chamado. Este homem foi um incrível referencial para todos aqueles apaixonados pela educação de qualidade.

Bom, quando aprendemos a ler e a escrever, é como se removêssemos uma venda de nossos olhos, o mundo adquirisse novas cores e possibilidades se abrem aos milhões. Começamos a aumentar nossa criatividade, expandir nossa consciência de nosso lugar no mundo e, principalmente, passamos a sonhar e a acreditar em novas coisas.

Mas de repente, sem que quase ninguém se dê conta, vamos perdendo o hábito de ler, livros tornam-se símbolos de cansaço, monotonia ou preocupação, vamos dando cada vez mais lugar aos eletrônicos e quando percebemos, já não lemos mais.

O que acontece? Como reverter isso? Será que há algo de errado?

Em primeiro lugar, segue a regra de ouro que todos deveríamos anotar em nossas agendas: leitura só será hábito se trouxer satisfação. Naturalmente em diversas circunstâncias, lemos por necessidade, mas se a leitura não for predominantemente agradável, desistiremos de fazer dela um hábito poderoso e ferramenta de desenvolvimento. 

Mas como criamos esse hábito? Inicialmente, cada um de nós precisa descobrir sua "espécie de leitura". Como assim? Simples, qual estilo de livro te encanta, te emociona, te prende, te transporta? Pode ser um romance, uma história de terror, um conto mágico e cheio de dragões, criaturas e mistérios, pode ser um livro investigativo, com toques criminais, pode ser um conto de um mundo tecnológico e distópico onde raças lutam para sobreviver, pode ser um livro de doces poemas que nos transportam para o mundo dos sentidos ou pode até mesmo ser uma receita de bolo. Enfim, há múltiplos tipos de livros, porém o que importa não é ler todos eles, mas sim encontrar o seu tipo de livro.

Faço um desafio a você: vá a uma biblioteca ou livraria e procure pelo seu livro. Pegue algum que desperte seu interesse, descubra seu tema principal ou assunto mas não o leia muito, entre 2 a 5 páginas é o suficiente. Se nesse intervalo esse livro não te "capturar", leia o próximo e o próximo e o próximo até que você seja "fisgado" por um deles. Insista, persista, persevere. O livro certo vai aparecer.

E quando isso acontecer, ah...como será magnífico! A sensação de ter se encontrado e percebido quem você é nas páginas certas...quão prazerosa será a transformação de si mesmo para sua melhor versão...

A partir daí, esse tipo de livro será sua bússola e a leitura será não apenas mais uma escolha, mas uma necessidade para suprir a sede de sua imaginação e de alegria. Você começará a desenvolver muitos elementos poderosos na sua mente, como a expansão do vocabulário, aumento da inteligência, capacidade aumentada de comunicação, crescimento da imaginação, libertação de uma dependência absoluta de eletrônicos e, acima de tudo, a aprendizagem de novos elementos e conceitos.

Infelizmente, a maioria das escolas ainda não apresentam o devido cuidado com um plano de leitura coerente para a idade e paradigma de cada aluno. Nivelam todos, independentemente do nível de dificuldade ou estilo, somente com os mesmos nomes clássicos da literatura brasileira (Machado de Assis, Paulo Coelho, Clarisse Linspector, Ariano Suassuna, Vinícius de Morais, dentre outros). Veja bem, não estou dizendo que estes autores sejam ruins, muito pelo contrário. O caso é que se você manda uma pessoa construir uma mansão sem que ela tenha costume de ao menos colocar um tijolo em uma base de concreto, como esperar que estes livros produzam algum bem concreto nas mentes, sobretudo, dos jovens? É um "espancamento intelectual", que mina a auto estima, sabota as vontades de ler e criam uma verdadeira ira e ojeriza à leitura.

Para resolver este problema, os planos de leituras precisam seguir uma linha gradativa e flexível para cada ano, cada turma, cada aluno, apresentando algumas possibilidades diferentes e justas, começando por livros coloridos e com gravuras, saltando para livros em preto e branco com algumas poucas imagens, passando por livros maiores de capas reluzentes e bem confeccionadas, para só então buscar literatura mais elaborada. Dessa forma, os estudantes terão um espaço saudável para encontrar seu próprio estilo e usá-lo como base, como porto seguro, para desenvolver a leitura. 

Faça o teste, pode confiar. Se não em mim, no professor Pier que viveu acreditando e transmitindo essa mensagem.

Procure na internet por artigos e testes para encontrar seu estilo de livro. Vá à livrarias, peça ajuda aos amigos, mas não desista! Você vai conseguir achar seu livro especial!

Espero que tenham gostado desse artigo e que eu tenha contribuído um pouco para o despertar para a vontade de ler mais e melhor.

Não percam a fé na leitura.

Em algum lugar, há um livro, perfeito, esperando por você...

Um forte abraço e bons estudos!


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