Postagem Observatório

O contra-ataque de Bolsonaro na área social

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Pressionado, o presidente Jair Bolsonaro busca reforçar a política de combate à pobreza e minimizar as críticas à área social, considerada um gargalo na atual gestão. Segundo o Estadão, mesmo considerando o cenário de restrição fiscal, o Planalto mobilizou a equipe do Ministro da Economia, Paulo Guedes, para ampliar benefícios às famílias de baixa renda. Visando os eleitores beneficiários do Bolsa-Família, o governo recorreu a Ricardo Paes de Barros, economista criador do programa no governo Lula.

A preocupação cresceu diante do temor do "efeito Chile" - país que se tornou um símbolo da onda de protestos que tomou conta da América Latina. Além disso, o governo também busca um plano de ação após o lançamento da agenda de combate à pobreza do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), além do fato da libertação do ex-presidente Lula.

Entre as propostas em análise pelo governo está a concessão de um adicional de R$ 6,81 por mês para cada uma das famílias beneficiadas pelo Bolsa-Família, principal programa de transferência de renda do governo - o benefício para uma família em extrema pobreza é de R$ 89 por mês. O aumento viria por meio de uma folga no orçamento, a partir do fim da desoneração de produtos da cesta básica.

Segundo estimativas oficiais, o programa, que garantiu a força do lulismo - sobretudo no Nordeste - tem impacto na renda de 43 milhões de pessoas. De olho em sua base eleitoral, o ex-presidente, agora solto, resolveu modular seu discurso, visando as contradições da agenda liberal defendida por Guedes, além de pregar o resgate da questão social. Integrantes do núcleo político avaliaram que o governo perdeu tempo na "corrida" pelo "voto social".

Em reação à soltura do petista, a equipe econômica foi orientada a buscar espaço no Orçamento a fim de aumentar os recursos destinados aos programas sociais. O grupo ligado a Guedes avaliou, ainda, que Maia, ao lançar uma agenda social, resolveu avançar em uma área do Executivo. Em conversas internas acerca do Bolsa-Família, integrantes do governo Bolsonaro chegaram a cogitar a troca do nome do programa para Bolsa-Brasil, mas outros setores do governo resistem à mudança.

Redigido por Marcos Jr.

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Foto por Tomaz Silva/Agência Brasil 

Nota do editor: a contra-ofensiva do governo Bolsonaro está em linha com o que ponderei no último texto de minha "trilogia" sobre as lições de Chile e Argentina para o Brasil, acerca da necessidade de conciliar responsabilidade fiscal com social. Destaco o seguinte trecho:

"Não obstante os fatores que tornam uma situação de caos semelhante ao que está ocorrendo no Chile menos provável, cabe repetir que o governo Bolsonaro deve estar mais atento à comunicação de suas medidas – sobretudo as menos populares – à sociedade. Não só isso, mas também calibrar tais medidas de forma a equilibrar responsabilidade fiscal com a social, de forma a garantir a legitimidade neste último aspecto do modelo socioeconômico que pretende se implementar por aqui."