Postagem Observatório

Mentes fracas, um velho truque Jedi e a pretensa superioridade moral dos omissos

Data da publicação:

"Medo, Medo, medo,

MedoMedoMedo..."

 (Belchior)

 

São muitas as tentações do silêncio ou da mera repetição. Ambas tornam homens próximos dos peixes e dos psitacídeos, mas sem a graça, as belas escamas ou penas coloridas e a pureza... Aliás, mentes fracas não são puras: computam todas as perdas e ganhos que terão com o silêncio e a repetição do politicamente correto. Jamais teriam a coragem de se arriscar à crítica mostrando pensamento próprio: melhor emudecer ou ecoar...

Por tudo isso, sempre achei que o truque Jedi que faz mentes fracas agirem como determinado pelo cavaleiro não era ficção: presenciei várias vezes seu uso e posso dizer: os Sith são muito melhores nisso... Não é à toa que o Império se tornou tão grande e que a Resistência era tão pouco numerosa: e não apenas numa galáxia muito, muito distante...

Os medos da crítica, de confronto e o desejo de parecer uma pessoa "superior" constituem toda a magia usada naquele truque: que, portanto, não necessita de qualquer uso da Força. Até diante de ataques sofridos e, mesmo de humilhações, acham melhor ceder a dignidade e a Liberdade, que nunca lhe trouxeram lucro, em troca de ser bem aceito no grupo, seja o da universidade, o dos "especialistas", o dos amiguinhos, até porque o confronto é tão cansativo... Melhor ceder logo, que se poupa até o esforço de pensar, de discutir... E o legal é que, pra você ser aplaudido e apoiado, basta ser o típico Modinha, repetindo ideias que estão -- ou não – em livros que você nunca leu, palavras de ordem que substituem o pensamento por coletivos ( que já trazem pacotes prontos de bits sinistros) e  , quando questionado com argumentos sólidos que contrariam seus chavões decorados, fazer aquele "olhar blasé que não só já viu quase tudo, mas acha tudo tão déjà vu, mesmo antes de ver", até porque você nunca quer ver nada que contrarie a doutrinação que sofreu, preferindo acreditar neles que em seus próprios olhos, mesmo que se gaste, inutilmente, e num só parágrafo, de Adriana Calcanhoto a Groucho Marx pra tentar folgar seus antolhos...

Ao sinal de qualquer resistência aos seus dogmas canhestros, você reclamará de agressividade, falará de ódio, os acusará do que você é, xingando-os do que você faz (Não importa se foi ele ou não que disse isso: o que importa é que você age assim) e, principalmente, chamará de radicais e extremistas quem pensa por si próprio e ousa quebrar a Espiral do Silêncio* que seus senhores impuseram e que ainda tentam manter.

Na maior parte dos casos, se farão de isentos, isentíssimos, isentões que gostam de dizer que não são nem de esquerda nem de direita, e de falar de moderacão; mas, na verdade, apenas usam uma falsa moderação como mera desculpa para fugirem do combate e tentarem, em suas revoluções patéticas e sinistrógiras, restabelecer a Espiral do Silêncio que foi quebrada?


 

Por Adriano Alves-Marreiros

Promotor de Justiça Militar e Membro do MP Pró-Sociedade e do MCI.

*Espiral do silêncio é uma teoria de 1977 da alemã Elisabeth Noelle-Neumann. Segundo a teoria, as pessoas preferem não expor opinião quando divergente da dominante devido ao medo de serem criticadas ou ridicularizadas. 

As redes sociais fizeram um grande trabalho na quebra dessa Espiral, já que mostraram às pessoas que nem sempre a opinião dominante é realmente a da maioria e que outras pessoas também pensam como elas. Não é à toa que, hoje, há tantos atentados contra a liberdade nas redes sociais e tantas ações de censura com nomes variados criados pela Novilíngua (preciso neologismo lançado por Orwell)

Minha homenagem especial ao Professor Doutor Júlio César de Aguiar pois foi o diálogo com ele que inspirou o texto.