Postagem Observatório

Lembrem-se de quando te chamarem para um café com bolo...

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Há quase dois meses, escrevi um artigo neste site comentando uma reportagem da Carta Capital sobre uma pesquisa qualitativa que, em síntese, evidenciava como as esquerdas conseguiram se distanciar - e muito - do que se convém chamar de "brasileiro médio", bem como a necessidade de os diferentes setores da direita se ajustarem para conquistá-lo. Afinal de contas, em política não existe vácuo.

Ontem, um artigo publicado no site desta mesma revista me chamou a atenção. Escrita pela colunista Esther Solano, o texto já é espantoso pelo título: Arrependidos que ajudaram a colocar Bolsonaro no poder não merecem perdão. Daria, logo de cara, para lembrar aos leitores que, mesmo que alguns não nutram simpatia pela moral cristã, pelo menos esta oferece a perspectiva do perdão.

Mas o mérito do que irei comentar não é isso (muito embora não deixe de ser importante), mas sim o quanto este artigo da Sra. Solano é, basicamente, mais um passo no estágio de perdição que as esquerdas acabaram entrando há, pelo menos, três anos. Pelo visto não basta alienar-se do cidadão comum, coisa que já conseguiram há tempos. Querem o mesmo em relação aos colegas formadores de opinião, inclusive alguns de pendor mais progressista.

Um dos alvos da fatwa da Sra. Solano foi o cineasta José Padilha. Até onde sei, Padilha está longe de ser um conservador - e muito mais de ser "bolsonarista". A mudança de tom entre os filmes 1 e 2 do Tropa de Elite e entre a primeira e segunda temporada de O Mecanismo, é uma evidente marca de que, por mais que esse não se identifique com o petismo, ele ainda nutre simpatia por pautas que tendem a ser defendidas pela esquerda. Isso, claro, não foi suficiente para a colunista da Carta Capital.

Mas ele não foi o único. Outros alvos do anátema foram Miguel Reale Júnior, um dos autores do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, e João Doria, governador de São Paulo. Não pretendo me aprofundar nestes dois casos, mas, ainda que a Sra. Solano tivesse alguma ponta de razão em relação aos três - e não tem - o mínimo que se esperaria, estrategicamente falando, seria buscar construir pontes com os agora dissidentes do governo do atual presidente. Fernando Haddad, candidato presidencial pelo PT em 2018, pelo menos entendia esse ponto, apesar de não ter obtido sucesso.

A verdade, enfim, é essa: se a postura de Esther Solano tornar-se o mote da esquerda para o próximo ciclo eleitoral, é bom esta se preparar para mais quatro anos de Bolsonaro. E isso com este fazendo um governo apenas um pouco acima do medíocre. Imagine se ele conseguir recolocar o país nos trilhos do crescimento econômico.

Seja o que for, não há convite para café com bolo que dê jeito, mesmo que seja "pela democracia". E, quando te convidarem para um, lembre-se da fatwa da Sra. Solano.

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Comentários

Marcos Jr.

Dia 12/08/2019 às 10:15

Realmente é difícil entender esse pessoal "iluminado" da esquerda. Ser contra o governo é até compreensível, afinal a opinião é livre. Mas ficar na torcida e se empenhar para que tudo dê errado, pintar o Presidente com as cores que eles pintam ... chega a ser doentio. Esta senhora diz sentir "asco" atualmente, mas garanto que "amaciou" a nojeira nos 16 anos de PT ...

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