Postagem Observatório

Há pouco mais ­­­­de dois anos morria José Mayer... e você nem soube!

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Em março de 2017, uma acusação de assédio sexual deflagrada pela figurinista Su Tonani matava o ator José Mayer. Não a sua pessoa, que continua a perambular como um zumbi, mas o seu símbolo, o símbolo do homem. Inicialmente, deixemos algumas premissas bem consolidadas: isso não é uma defesa de José Mayer. O erro existiu e foi confessado. Não se ultrapassam os limites estabelecidos pela mulher quando ela os impõe de forma clara. A julgar pela veracidade do quanto afirmado pela figurinista, essa delimitação fora feita e não respeitada pelo ator. O assédio sexual, aliás, só pode configurar-se caso haja a invasão dessa linha. Mas por que ela é tão relevante? Simplesmente porque, numa relação, sempre alguém terá a iniciativa. Se qualquer tentativa for havida como assédio, logicamente concluiremos absurdamente que TUDO será assédio, salvo quando a mulher o negue. Em outras palavras: toda aproximação masculina constituirá assediadora, salvo se correspondida, o que é uma completa insanidade. Portanto, para existir, é imprescindível haver alguma manifestação de resistência, ou seja, a delimitação.

Para compreendermos o assassinato simbólico de Mayer, faz-se necessária uma breve digressão sobre quem foi e o que representou frente à teledramaturgia brasileira. Referido ator sempre foi identificado com o estereótipo do galã – fez papéis como o de Fernando, em Fera Radical, um peão bronco, que, na mesma novela, arrebatou as musas Carla Camuratti, Malu Mader, além do amor platônico da debutante Claudia Abreu; Osnar, de Tieta, um bon vivant bem-dotado, que conquistou as musas Beth Faria e Luiza Thomé, além da virgem Arlette Sales e das meninas da Casa da Luz Vermelha; foi o médico bem-sucedido Carlos Moretti de História de Amor, tendo como par uma mulher linda e mais jovem, vivida por Carolina Ferraz;  interpretou Pedro em Laços de Família, quando, na mesma trama, emplacou relacionamentos com Vera Fisher, Helena Ranaldi, Eliete Cigarine e Deborah Secco, esta muito mais nova; e, como não poderia faltar citar, o personagem Fernando em Presença de Anitta, quando formou par romântico com Mel Lisboa, que fazia papel de uma ninfeta. Sim, poderíamos passar o dia falando de seus papéis de galã, mas poupemos o leitor.

Posto isso, a trajetória de Mayer confunde-se com o próprio simbolismo de tudo o que o progressismo (fantoche da esquerda) deseja ver sucumbido e enterrado da "sociedade moderna". Um homem heterossexual, branco, bem-sucedido e com comportamento de macho (com um certo atavismo com o mundo animal) é justamente o que conflita com as pautas identitárias ligadas ao LGBT, ao feminismo, ao empoderamento da mulher e ao orgulho negro. Ou seja: em apenas um símbolo, diversos mitos puderam ser desconstruídos, isto para usar a terminologia deles.

Mas a desconstrução como meio de inclusão é apenas mais uma das maldades progressistas vendida no atacado como generosidade e benevolência com os grupos ditos excluídos. Para além de discutirmos a respeito da inclusão, importa mais a compreensão a respeito da sua operacionalização pelas esquerdas. Inclusão – em seu sentido real – seria acréscimo, aumento em relação a algo já existente e, portanto, preservado. A inclusão preconizada pelo progressismo não se dá com o aditamento de novos elementos, mas com a exclusão daqueles existentes, ou seja, destrói-se a cultura anterior, substituindo-a por uma nova, diversa e, principalmente, contraposta. Esse último detalhe é o mais importante: os revolucionários do mundo perfeito não admitem a coexistência; eles querem a eliminação do passado, pois que este seria a pretensa razão de todos os males!

O assassinato de José Mayer vale muito mais do que seus olhos podem alcançar. Sua morte é a apoteose da desconstrução da figura masculina, do macho, cujas idiossincrasias apenas recebem os holofotes em seu viés negativo. O projeto de feminilização do homem constitui hoje uma das pautas prioritárias do governo global e sua razão é tão óbvia quanto ignorada: a supressão da agressividade como modo de domesticação e colonização. Sim, pode parecer primitivo falar sobre força e agressividade no mundo contemporâneo, mas o único fato inexorável da natureza humana é a sua tendência à dominação sobre outros povos. A morte de Mayer faz parte desse projeto mundial, que já conseguiu, entre outras façanhas, emplacar na Suécia o crime de estupro nos casos de sexo sem preservativo! Pasme: se uma mulher consentir conscientemente por manter conjunção carnal com um homem, basta que, após, com um exame de corpo de delito, constate-se fluidos do homem em sua vagina e já estará configurado o crime. Nada muito diverso do conceito de assédio sexual pretendido pela militância como vimos no episódio de Mayer. Em resumo: a palavra do homem não vale NADA!

Recentemente, o jogador Neymar teve sua palavra completamente menosprezada quando foi acusado de estupro por uma mulher com quem manteve encontros, tendo se safado apenas por ter arquivado todas as conversas havidas via aplicativo de celular, por meio das quais restou evidente o consentimento. A sanha feminista contra o homem, entretanto, é tamanha desmesurada, que, ainda assim, muitos não arredaram pé, insistindo tratar-se de estupro apenas porque assim declarara a suposta vítima. O sistema globalista, tendo o feminismo como sua longa manus, não se contenta com a igualdade, embora ela apareça como um false flag no discurso; a intenção é outra – suprimir, via coerção moral e por meios legais, todo o arcabouço de valores masculinos que dão sustentação à sociedade dita liberal-burguesa.

Retomando o caso José Mayer – e após os esclarecimentos acima –, vemos como não se tratou de nada pessoal, embora a punição à sua pessoa tenha sido utilizada como exemplo para a construção de uma "jurisprudência" de costumes, desencorajando qualquer homem a desafiar o novo modelo de mundo progressista, maravilhoso, sem defeitos e imune à humanidade. Dito isto, não fica difícil entender por que um povo bovino é tudo o que agentes de dominação pretendem para assegurar seu intento. Destruir toda a representação social do símbolo masculino é primordial nesse processo, constituindo o ativismo de minorias como o feminismo sua etapa fundamental. Mayer é uma vítima, mas não do que fez, pois, se assim o fosse, suas desculpas seriam suficientes ao perdão; ele é vítima do símbolo que ostenta, contra o qual nenhuma desculpa é capaz de apagar. Por isso, sua morte simbólica é pior que a morte real. Com ela, morrem todos os homens.

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Bernardo Guimarães Ribeiro

Especialista em Direito Processual Civil e Procurador do Ministério Público do Trabalho e Professor de Direito administrativo. Também é o autor de Nadando Contra a Corrente e membro fundador do Instituto Conservador e Liberal Antônio Lacerda