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Após década perdida, infraestrutura no Brasil ensaia retorno à corrida

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O Brasil passou por uma "década perdida" no quesito infraestrutura. No entanto, um ganho de três posições neste ponto do ranking de competitividade do Fórum Econômico Mundial, verificada do ano passado para este ano, mostra uma possível reversão de cenário, de acordo com a Exame.

A conclusão é do projeto Infra2038, que avalia a cada ano as condições do Brasil na área, e tem, como meta, que o país chegue aos 20 primeiros lugares do mundo em infraestrutura até 2038, o que exigiria um salto de 58 posições.

Para isso, seria necessário o Brasil elevar o estoque da infraestrutura de 36% para 51,9% do Produto Interno Bruto (PIB), o que exigiria investimentos anuais da ordem de 3,55% do PIB ao longo das próximas duas décadas.

O relatório divulgado nesta quarta-feira (27) frisa que é possível ganhar velocidade nessa melhora graças às condições macroeconômicas mais estáveis e, pelo menos no horizonte visível, taxas de juros estruturalmente mais baixas. Tais fatores tendem a direcionar poupanças aos ativos de maior risco, como a infraestrutura.

"No âmbito federal, há maior continuidade nas políticas de governos do que se verificou no passado, e menos intervenção regulatória indesejável. Dessa forma, as condições transversais podem ser vistas como mais favoráveis a um salto nos investimentos em infraestrutura", afirma o texto.

O relatório destaca que o financiamento de infraestrutura no Brasil esteve, por muito tempo, concentrado no BNDES, por meio de taxas de juros subsidiadas e, com isso, afastou o mercado privado e de capitais. No entanto, esse se alterou nos últimos anos, com as severas restrições fiscais. Uma vez que cerca de 94% das despesas do governo hoje são obrigatórias por lei, sobra pouco para realizar investimentos, sendo estes cortados em momentos de crise.

"Com a criação do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos) e uma nova orientação governamental, algumas mudanças significativas foram incorporadas, dentre elas a criação da TLP (Taxa de Longo Prazo) que elimina o subsídio destes financiamentos", diz.

Criado no governo Temer, o PPI é o órgão responsável pelas privatizações e liquidações de empresas. E no governo Bolsonaro, o Ministério dos Transportes, Portos e Aviação foi transformado no Ministério da Infraestrutura.

Apesar de que o ambiente institucional do país para projetos de infraestrutura tenha melhorado na maior parte de seus aspectos, os resultados ainda não apareceram, segundo o estudo.

Redigido por Marcos Jr.

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