Postagem Observatório

A Síndrome de Robin Hood

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Por Vanderson Enéas

Nesses últimos dias, levantou-se novamente a discussão sobre o desencarceramento no Brasil. A suprema corte decidiu que nosso sistema penal é fraco, injusto e prende muito, então, optaram pelo fim da prisão em segunda instância, abrindo margem para que milhares de condenados deixassem suas celas e fossem postos imediatamente em liberdade. A seguir vamos dissertar sobre a real intenção desta corte superior que se sobrepõe ao desejo do povo brasileiro, e vai na contramão da realidade de milhões de famílias que desejam não apenas ter liberdade, mas empreender e sair das margens fétidas em o estado os lançou.

A situação no do sistema carcerário brasileiro é caótica, está cada mais inflado e chega a quase oitocentos mil detidos por crimes que vão de roubo de comida a latrocínio, estamos vivendo um tempo de devassidão social, onde o crime muitas vezes compensa e a vida correta é deturpada com desigualdade e isolamento, como gado, a população marginalizada é esquecida, e dia após dia, mais jovens são lançados no crime, e todos nós sabemos que o fim disso são prisões superlotadas ou a morte. Para entendermos como chegamos a esse nível estratosférico de esquizofrenia social, temos que voltar no tempo e aprender como se deram as coisas para nos trazer até aqui. Há, porém, três questões básicas a se fazer. 1 - Onde começou isso tudo? 2 - De quem é a culpa? 3 - É possível resolver esse problema? Vamos as respostas.

A Revolução Marxista foi sem dúvidas, umas das maiores transformações que mundo sofreu depois da Revolução Protestante, lembrando que a Revolução Protestante não tem haver apenas com atitudes religiosas, mas com a transformação do homem natural em um ser independente e totalmente ligado ao seu Deus e ao meio político intelectual em que vive. Diferente da Revolução Marxista, que parte do pressuposto de que a elite burguesa precisa ser detida, para que a elite proletária se erga e destrua tudo que foi construído, e assim continue lutando até alcançar igualdade plena, uma utopia em nome de uma causa nobre e revolucionária. 

A Síndrome de Robin Hood também parte desse pressuposto. O crime é algo que não compensa, mas se for por uma causa nobre é possível que se encontre brechas para o justificar, romantizando assim a ideia de que o mal é bom. O criminoso acredita que roubar de quem tem mais para sustento de sua família e sucessivamente das pessoas mais próximas e válido, é algo revolucionário, todavia a face social do Robin Hood moderno é a desigualdade, a miséria e a pobreza, tornando a periferia refém de seus males. 

A periferia esquecida, deixada ao ermo, criou marginais superpoderosos, que geram receitas bilionárias ao estado, esses Robin Hoods são "heróis", se é que podemos chama-los assim, porém, são admirados por crianças e adolescentes dentro das favelas, muitos jovens ingressam na escola do crime por influência desses monstros, ervas daninhas cultivadas pelo estado, que ao invés de pôr em prática suas políticas públicas, os joga ao léu, sem rumo, e esses são amparados pelos tais Robin Hoods, "heróis" deturpadores do sistema, tutelado pelas brechas deixadas pelo estado.

O herói inglês, diferente desses marginais brasileiros, era rico, mas sucumbiu ao crime por bel prazer para defender o menos favorecidos pelo estado, se tornando inimigo do estado, o mesmo estado que o deixou viver. No Brasil não é diferente, os nossos marginais, são analfabetos, ignorantes, mas que fazem um tremendo favor ao estado, colaborando veementemente para essa carnificina sociocultural criada pelo estado, para o estado, dentro do estado. É a grande ideia de criar o problema para vender a solução, o estado gosta de enxugar gelo, fazer propaganda, vender a imagem de que combate o crime e a desigualdade ao mesmo tempo. Mas não o faz, e o que faz e paliativo, "para inglês ver", e apenas isso.

No Brasil, os flagelados sociais estão lutando para não serem esquecidos pela nobreza, eles também foram criados pelo estado, saíram das senzalas, dos porões da escravidão, da exclusão e do medo da fome, e sem oportunidade nenhuma foram jogados às margens das cidades, esquecidos nas periferias, deixados ao ermo para serem mortos por sua própria ignorância. Onde estava o lema tão repetido pela República? A igualdade e a fraternidade são apenas para os da camada superior. 

Surgem então as favelas, senzalas a céu aberto, cheias de pretos e pobres, por que pobreza e desigualdade não tem cor. Marcadas por um êxodo descomunal, vimos nascer nesses currais os tais "heróis". Dia após dia o estado que os criou, os deixa viver, dando a eles uma força paralela, onde o poder não está na legalidade, mas sim no modus operandi, no marketing e na desigualdade. 

Essa é a parte histórica do que se tornou o nosso sistema carcerário precário, mas com tudo que vimos parece realmente que cadeia serve apenas para tirar o marginal da sociedade, e por hora é disso que nós precisamos. Mas a realidade de quem sofre com a falta de tudo não é apenas essa, a educação que nos oferecem não é suficiente para nos arrancar do buraco ideológico em que fomos lançados, ao contrário, nos joga sem perceber nessas celas superlotadas, cheias de "heróis", criados pelo mesmo estado que os combate. 

Viemos das senzalas mais sórdidas do período escravagista, e dos porões fétidos da Europa, fugindo das pestes ou das revoluções, para nos jogarem em cubículos superlotados sem nenhum respaldo social, e aqui não estamos falando de prisões. O estado não nos quer livres, nós não temos liberdades, as correntes que nos prendiam e as ideologias que nos perseguiam ainda nos ronda, não temos para ir. Enquanto o estado for o detentor dessa tal liberdade, a prisão será o fim de todos nós, seja ela física ou ideológica, o estado jamais irá suster-se do poder de nos controlar. 

Para os que pedem mais estado, darei aqui uma advertência precisa, acorde antes que seja tarde demais, pois se você continuar nesse mundo ideológico de bizarrices patéticas em nome de uma revolução fadada o caos e ao medo, a cela de você irá usar não se escreve com C, está se escreve com S, usadas em equinos, grandes animais que montados são levados a qualquer lugar, mesmo sem sua própria vontade. Veja a força deles, mas seu fim é o domínio, pois não donos de si.

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Vanderson Enéas