Postagem Observatório

A Previdência é o fim do começo do governo Bolsonaro

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Ontem, quarta-feira, se encerrou o primeiro turno - ou melhor, "round" - da votação da Reforma da Previdência no Senado. Com uma boa e uma má notícia: a boa é que o texto-base desta foi aprovado com 56 votos, com uma margem de sete votos acima dos necessários para a passagem (muito embora esta poderia ter sido melhor).

A má, porém, é que a vitória não veio sem machucados, uma vez que o Senado, contrariando o governo, manteve o abono salarial para quem ganha até dois salários mínimos, o que reduz a economia em 10 anos com a reforma para R$ 800 bilhões. Felizmente, os demais destaques à proposta - que tornariam ainda mais diminuto o impacto trilionário da proposta original do Ministério da Economia - foram rejeitados.

Não obstante, é preciso lembrar que ainda haverá o segundo turno da votação no Senado, cuja votação, segundo Davi Alcolumbre, presidente da Casa, poderá ficar para a segunda quinzena deste mês, em vez do dia 10. Por um lado, isso é ruim, uma vez que a economia e os mercados continuarão em compasso de espera com a votação da proposta por mais tempo. Por outro, acaba sendo uma boa notícia para o governo, que ganhará tempo para a articulação política com os senadores no próximo "round". Articulação essa que revelou suas falhas, seja na margem de sete votos sobre os necessários para a aprovação (poderia ser melhor, como disse antes), seja pelo revés com o acolhimento de um dos destaques.

Apesar dos pesares, a tendência continua favorável à aprovação final da Reforma em plenário no segundo turno. E, pelo visto, isso confirma uma expectativa que tinha quando a proposta inicial foi apresentada: miraram a economia da proposta de Guedes para acertar a economia da proposta de Temer. O que, tendo em vista tanto a falha articulação do governo como a postura não poucas vezes agressiva da Câmara e do Senado, não é ruim (pense que poderia ser pior).

Enfim, com a aprovação da nova Previdência, o governo Bolsonaro chegará ao fim de seu começo. E terá melhores condições para mostrar a que veio.