Postagem Observatório

A Estrutura do Mal

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Uma coisa que nós, pessoas comuns, falhamos miseravelmente é em imaginar o Mal de verdade. Simplesmente não somos capazes disso, o que é sinal de saúde mental e não uma falha de fato.

Mas ele, o Mal, está sempre ao nosso redor. O vemos na defesa da exposição de crianças a homens pelados. O vemos na defesa da soltura de bandidos e estupradores. O vemos na relativização do bem e do mal. O vemos até na relativização do Beleza e da Arte. E, claro, o vemos na idéia de que os fins justifiquem os meios.

Mas vamos ver como esse Mal se estrutura em algumas conexões simples e verão o horror da atualidade. Usaremos como benchmark da maldade o notório Marquês de Sade. Este foi um depravado completo que cometeu as maiores perversões com as meninas e meninos sob seu poder. Escreveu profusamente sobre todo tipo de barbaridade e sevícia. Mesmo em sua extrema maldade ele nos serve, pois em suas palavras podemos facilmente antever o destino de certas linhas de pensamento.

Começamos nossa teia com o irmão mais velho do pintor Balthus, Pierre Klossowski, que escreveu o livro "Sade mon prochain", ou "Sade meu vizinho". Neste livro o autor analisa a filosofia de Sade sob o pretexto de avaliar a validade da forma de ver o mundo do monstro francês. Sobre o valor ou validade da exploração do autor eu nem digo nada, mas ele escreveu outro livro, chamado "Roberte ce soir", ou "Roberta esta noite", onde a heroína sob ordens do marido dorme com diversos hóspedes. Julguem por vocês mesmos.

Pois bem, essa doce figura é irmão do famoso pintor Balthus. Famoso por que a pedofilia era verdadeira parte da intelligentsia francesa, e ainda deve ser. Dotado de excelente técnica o pintor criou obras sórdidas e revoltantes. Seu irmão mais velho também pintava, aliás. E Pierre era um verdadeiro herói para Michel Foucault e Gilles Deleuze, ambos filósofos pós-modernistas que são considerados a maravilha das maravilhas por gênios nacionais como Marilena Chauí.

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Obra de Balthus

 

Foucault foi internado no manicômio e tentou suicídio duas vezes. Homossexual e pervertido, fazia orgias sinistras e acabou contraindo o vírus da AIDS que o matou. Parecia muito com o tio Funéreo da Família Adams. Já Deleuze teve mais sucesso e conseguiu se suicidar em 1995. Destaco que Foucault e Deleuze efetuaram firme e pública defesa da pedofilia na década de 70, estando a descrição de seus depoimentos disponível na internet.

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Michel Foucault

 

Seguimos na teia com Jacques Lacan, o badalado psicólogo. De acordo com Catherine Millot em seu livro "A vida com Lacan", ele era muito próximo de Balthus. "Balthus praticamente fazia parte da sua família, tendo sido ligado por vários anos a Laurence Bataille". Esta foi retratada por Balthus e na primeira vez que posou para o pintor queixou-se à sua mãe que o pintor havia sido "muito atrevido". A mãe da jovem, claro, repreendeu-a e não ao pedófilo. Esta mesma mãe acabou casando com Lacan mais tarde.

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Balthus e uma adolescente

 

Está ficando enrolado? Sim. As conexões são muito numerosas e interligadas com o Mal e a perversão circulando livremente. O pai de Laurence, Georges Bataille, era fã de Sade e escreveu várias obras pornográficas. Destaco destas um livro, "A Literatura e o Mal". Neste livro o autor (Bataille) declara que a literatura não é inocente, é culpada e deveria se orgulhar disso. E destaca vários autores, entre os quais Sade mais uma vez e Jean Genet. Este por sua vez era um presidiário que foi solto graças aos esforços dessa turma que citei acima. Na cadeia ele escreveu obras de fantasia sexual entre seu guarda e ele e com isso encantou os nobres autores já citados. Depois de solto Genet foi paparicado pelas rodas intelectuais francesas, destacando-se aqui Sartre e Jean Cocteau. Curiosamente, também tentou se matar mas sem sucesso. Vejam que belo rostinho tinha esse bom moço.

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Jean Genet

 

E chegamos ao Rio de Janeiro, mais precisamente à Faculdade de Literatura da PUC/RJ, onde um professor titular, Karl Erik Schollhammer fez uma ampla defesa da obra de Bataille e foi autor e co-autor de livros como "Atrocity Exhibition", de 2011. Escreveu uma matéria no caderno Prosa d'O Globo sobre a relevância da obra do admirador de Sade, em 2013.

Pronto, chegamos aqui à minha esquina e posso garantir que ao redor de cada um de vocês existem vários defensores e propagadores dessa barbaridade toda. Só não vemos a pedofilia abertamente praticada no Brasil por conta da forte influência cristã de nossa sociedade mas se quiserem se chocar com conteúdo nacional nessa área basta procurarem Luis Mott, cuja obra não citarei aqui nem que me paguem. Se correrem esse risco recomendo muito cuidado pois vai bem além da nossa imaginação, como deixei claro no início do texto.