Postagem Observatório

A Chegada do Vírus

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No princípio, era apenas desconhecimento e inocência. Porém, já em 1872, o Brasil teve seu primeiro contato com a doença. O responsável foi o jornal recifense "Os Seis de Março", uma publicação de viés republicano que reproduziu um artigo intitulado "O Dr. Carlos Marx". É sintomático que ele tenha aportado entre nós sob um manto de respeitabilidade. O doutor Marx... "Language is a Virus", cantaria a progressista Laurie Anderson 114 anos depois...

Mas já no século 19, e com Marx ainda vivo, vários brasileiros não se deixaram enganar pelo banditismo disfarçado de teoria política e econômica. O filósofo e jurista Tobias Barreto, por exemplo, ao saber do "Instituto da Internacional" organizado por Marx e Engels, definiu-o como a "organização da loucura".

Outro que imediatamente apreendeu a essência do "socialismo científico" foi Machado de Assis. Em 1885, escreveu uma ficção onde um socialista russo de nome Petroff vivia apartado da realidade e rendido às narrativas ditadas pelo partido. Ou seja, uma caracterização perfeita do esquerdista em todos os tempos e lugares

Por outro lado, ninguém lia impunemente os textos fortes e ardilosos de Marx, ainda mais reforçados pela embriaguez causada por toda grande novidade. Prova disso é que o próprio Barreto, mesmo ciente da arapuca ideológica, citou elogiosamente Marx em um discurso de colação de grau em 1883, ano, aliás, do falecimento do revolucionário alemão.

Se Machado e Barreto identificaram a estupidez intrínseca ao marxismo, o mesmo não se deu com os espiritualmente obtusos, embora de intelectos privilegiados.

Euclides da Cunha, o autor do formidável "Os Sertões", se encantou com as sinuosidades do teórico; e viu nelas coisas que não existiam, tais como "uma análise rigorosa dos materiais objetivos" (Marx alterava documentos, inventava dados e forjava citações) e uma "lógica inflexível dos acontecimentos" (Marx inventou um fantasioso determinismo histórico por distorção da dialética hegeliana). A empolgação de Euclides o levou a fundar uma associação operária socialista em São José do Rio Pardo, a qual, evidentemente, não deu em nada.

Se vê, portanto, que o embate no Brasil entre o marxismo e a realidade (que é a matéria prima do pensamento conservador) começou de modo equilibrado, com loucos e sãos em pé de igualdade, por assim dizer.

Porém, aos poucos, o hospício começa a fazer seus primeiros puxadinhos. No início dos anos 1900 já é possível ler vários jornais de causas socialistas estampando a frase "Proletários de todos os países, uni-vos".  E também surge o primeiro marxista brasileiro "completo", o médico Silvério Pontes, que se esforçava para aliar teoria revolucionária com prática militante.

A doença começou realmente a mostrar sua força a partir de 1922, com o surgimento do Partido Comunista do Brasil, fundado pelo então conhecido anarquista Astrojildo Pereira.

A essa altura, o culto aos chamados socialistas utópicos (como se houvesse outro tipo de socialismo...), tais como Saint-Simon e Fourier, começou a cair no esquecimento para dar lugar à boa nova revolucionária trazida por Marx e Engels.

Em 1923 é publicado pela primeira vez no Brasil, no jornal "Voz Cosmopolita" e em tradução do dirigente Octávio Brandão, "O Manifesto do Partido Comunista".

Coube também a Octávio Brandão a primeira distorção da realidade brasileira com os instrumentos teóricos do marxismo. Publicada em 1924, sua obra ficcional se chamou "Agrarismo e Industrialismo: Ensaio marxista-leninista sobre a revolta de São Paulo e a guerra de classes no Brasil"

Depois do pioneiro Brandão, vieram outros ficcionistas mais criativos, a exemplo de Caio Prado Júnior, que, convertido fervorosamente ao marxismo, escreveu as ficções "A Evolução Política do Brasil" (1933) e "URSS: Um Novo Mundo"; e depois o clássico da literatura fantástica marxista, "Formação do Brasil Contemporâneo" (1944)

A partir dos anos 1950, a merda toda já ganhava ares de irreversibilidade no Brasil, com Gustavo Corção denunciando o aparelhamento marxista da Igreja Católica; com Nelson Rodrigues reclamando da infestação comunista na imprensa e nos ambientes sociais; e com Jorge Amado sendo perseguido e caluniado por ter se desligado do Partido Comunista.

Portanto, quando se inicia a guerrilha marxista no Brasil em 1961 - a qual recebeu sua reação apenas em 1964 com o regime militar -, já havia uma ampla atividade cultural e acadêmica a incentivar a bandidagem. Uma bandidagem composta pelos mesmos que até hoje atrasam o Brasil: Lula, Dilma, Miriam Leitão, Gabeira, Zé Dirceu, Genoino e mais uma horda de seguidores.