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2019, um breve balanço: os cães ladram, a caravana passa

Atualizado: Fev 13

Por André Assi Barreto, mestre e pesquisador em filosofia.

As pessoas, durante 2018 e 2019, tentaram traçar comparativos entre Donald Trump e Jair Bolsonaro, mas por razões que, em minha opinião, não são importantes. Políticas "nacionalistas", predileção pela lei e pela ordem, anti-esquerdismo etc. Embora sejam verdadeiras, creio que encontramos semelhanças ainda mais interessantes e relevantes nas oposições a ambos.

Tão logo Donald Trump foi eleito, alertei que quem estabeleceu previamente os critérios de avaliação do governo Trump foi sua oposição. Qualquer coisa diferente de Terceira Guerra Mundial, holocausto de minorias e completo caos econômico seria lucro. A realidade? Zero guerras iniciadas e muitas findadas, minorias com recordes de empregos, salários crescendo e economia em melhor situação desde o início do pós-guerra. Por aqui a situação não é nada diferente. Anteviram, guardadas as devidas proporções, mais ou menos o mesmo, mas o que temos é redução substancial de homicídios (estima-se 7.000 a menos), economia de volta aos trilhos do crescimento real (e não inflado pelo incentivo artificial ao crédito), desemprego em queda, juros em baixa, inflação em baixa, excelente trabalho na Infraestrutura (alô, Tarcísio) etc. Tudo mais do que bom para quem previa o apocalipse zumbi.

É claro que não sou ingênuo a ponto de acreditar que as oposições – lá ou cá – darão o braço a torcer. Quem viveu os anos 1990 sabe o tipo de oposição que o PT e suas linhas auxiliares desempenham, agora será um "quanto pior melhor" vitaminado. Mais interessante ainda é o caso da oposição neófita, os eleitores ideológicos de Amoedo, Meirelles, Alckmin, a meia dúzia que convencionamos chamar de "kombi" (pois cabem em uma) ou isentões. Esses terão um destino psicológico ainda mais triste e desesperador, que é a dissonância cognitiva. Nos EUA, muitos neoconservadores engrossaram o "Never Trump", dando azo à esquerda cada vez mais radical do partido democrata. Por aqui, já na campanha, visualizamos diversos liberais fazendo o mesmo com o coro "Ele Não". O que coloca essa turma em situação pior que a oposição natural a Trump e Bolsonaro é que estão enfrentando chefes de governo que estão entregando propostas conservadoras e liberais. Ou dão o braço a torcer ou começam a considerar ruim aquilo que sempre defenderam e formular argumentos para isso, caindo em dissonância cognitiva. Bem Shapiro, por exemplo, preferiu dar o braço a torcer. Nossos isentões, pelo que tudo indica, incorrerão em dissonância cognitiva, pois mesmo alguns já começaram a negar direitos individuais (porte de armas, por exemplo) em nome de poderem se manter "isentos" e críticos de um projeto que tem muitos quês do seu agrado ideológico.

A despeito de tudo isso, das picuinhas ideológicas e das teorias da conspiração sobre gabinetes do ódio, milícias virtuais, tretas de redes sociais etc., o fato importante para a História e para o bem do país, tanto na América quanto aqui, é que os cães ladram, mas a caravana passa.

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